Arco-Íris de Sombra





Para um amigo tenho sempre um relógio esquecido em qualquer fundo de algibeira. Mas esse relógio não marca o tempo inútil. São restos de tabaco e de ternura rápida. É um arco-iris de sombra, quente e trémulo. É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

António Ramos Rosa


*as vossas palavras*

   

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Wednesday, October 08, 2008
Estou noutro sítio

Posted at 07:28 pm by rosa
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Saturday, March 29, 2008
dia

deixo o sol ditar-me as regras dos dia queimando devagar o corpo cansado de um inverno perdido de todos

 

          perdido de todos os passos de veludo que nascem debaixo de unhas enraivecidas pela inerte apatia das horas         deixo chegar o calor deste verão e rebolo na areia até ao mar. não me afogo mais. os meus pulmões já sabem a que sabe a tua água.


Posted at 10:52 pm by rosa
as vossas palavras foram (1)  

 
Monday, March 17, 2008
melodia

és fácil como as dores de noites coleccionadas és sangue

tenho em mim a sombra dos teus gestos cautelosos e teço palavras escondidas em gavetas de pó.

construo como pontes históricas a palavra "n ã o" dói-me o corpo quero dormir por seis meses quero deixar-me afogar arrepiar-me com o frio morrer e depois redesenhar outro eu em peles só minhas não sujas de vinho de noites mal dormidas

quero a minha paz, ofereço-te o meu corpo cansado em troca de uma canção de amor


Posted at 08:49 pm by rosa
as vossas palavras foram (1)  

 
Sunday, January 13, 2008
inverno

estou dentro de um bloco de gelo olhos que dormem abertos presos em ideias perdidas em asas de borboletas

não encontro a resposta a tua a nossa a única em forma de planta viva, procuro mas as mãos estão frias e tocam agressivamente o gelo e a faca que não o corta

em silêncio

és o meu lençol cinzento, imutável, suave como as tuas palavras ao acordar


Posted at 10:21 pm by rosa
as vossas palavras foram (1)  

 
Wednesday, December 05, 2007
monólogo

tenho o peito pleno de toques teus e vazio de outros países que não tenham a marca da tua pele              perco o fôlego e a jangada que me salvava         perco as horas e amo-te sem chão em queda livre

 

mas amo-te

contra a corrente do teu sopro de dor e distante saudade contra as palavras escritas nas minhas mãoes cansadas a giz preto, contra o corpo abandonado no beco sem saída das paredes do meu corpo

amo-te contra toda a destruição

amo-te arrastada pelas tuas ondas de tempestade e digo-te ..........................

e quando de dia me tentares ver claramente talvez eu não esteja aqui cadáver esteja rodeada de malmequeres desenhados por ti numa câmara escura onde dizes encontrar o teu leito

és o meu único existir


Posted at 11:05 pm by rosa
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Monday, December 03, 2007
lareira
se te abraço é porque tenho cinzas no lugar do coração e só tu tens mãos de ouro que me moldem

Posted at 12:54 am by rosa
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Monday, November 12, 2007
confissão

descanso na manta de vidro e não oiço o choro do esqueleto que me sustém

espero o teu cheiro quente adormecido

 sonho com a vida que não me respira e me devora


Posted at 10:42 pm by rosa
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tatuagem

sente este cadáver cansado de falta de ar

canso-me de raios homicidas em campos de chuva e angústia

És o meu Norte. A Casa tatuada. A voz que reconheço nos lagos e desertos do devir. Quando só a luz me dizia que eu ainda era real inventei-te e reconheci a tua voz. És sol e sangue quente no meu cálice.


Posted at 10:33 pm by rosa
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Tuesday, November 06, 2007
tango tímido

sou estátua e no meu sangue corre o teu cimento

oiço e descubro o silêncio arrepio-me quase me vejo só em grito que te chama

não me dispas de pele e ossos és apenas o meu respirar e os anos doces de paixão. regressa nesta mesma estrada. retoma as palavras e as ondas duras de solidão serão só cacos de ti e de mim e do que fomos na distância.


Posted at 09:13 pm by rosa
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Monday, October 08, 2007
cinzas

não sobrou nada

de campos dourados e tremuras de pele sobraram restos cinzas e cheiros salgados de vingança


Posted at 11:43 pm by rosa
as vossas palavras foram (1)  

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