Posted at 07:28 pm by rosa
Permalink
deixo o sol ditar-me as regras dos dia queimando devagar o corpo cansado de um inverno perdido de todos
perdido de todos os passos de veludo que nascem debaixo de unhas enraivecidas pela inerte apatia das horas deixo chegar o calor deste verão e rebolo na areia até ao mar. não me afogo mais. os meus pulmões já sabem a que sabe a tua água.
Posted at 10:52 pm by rosa
Permalink
és fácil como as dores de noites coleccionadas és sangue
tenho em mim a sombra dos teus gestos cautelosos e teço palavras escondidas em gavetas de pó.
construo como pontes históricas a palavra "n ã o" dói-me o corpo quero dormir por seis meses quero deixar-me afogar arrepiar-me com o frio morrer e depois redesenhar outro eu em peles só minhas não sujas de vinho de noites mal dormidas
quero a minha paz, ofereço-te o meu corpo cansado em troca de uma canção de amor
Posted at 08:49 pm by rosa
Permalink
estou dentro de um bloco de gelo olhos que dormem abertos presos em ideias perdidas em asas de borboletas
não encontro a resposta a tua a nossa a única em forma de planta viva, procuro mas as mãos estão frias e tocam agressivamente o gelo e a faca que não o corta
em silêncio
és o meu lençol cinzento, imutável, suave como as tuas palavras ao acordar
Posted at 10:21 pm by rosa
Permalink
tenho o peito pleno de toques teus e vazio de outros países que não tenham a marca da tua pele perco o fôlego e a jangada que me salvava perco as horas e amo-te sem chão em queda livre
mas amo-te
contra a corrente do teu sopro de dor e distante saudade contra as palavras escritas nas minhas mãoes cansadas a giz preto, contra o corpo abandonado no beco sem saída das paredes do meu corpo
amo-te contra toda a destruição
amo-te arrastada pelas tuas ondas de tempestade e digo-te ..........................
e quando de dia me tentares ver claramente talvez eu não esteja aqui cadáver esteja rodeada de malmequeres desenhados por ti numa câmara escura onde dizes encontrar o teu leito
és o meu único existir
Posted at 11:05 pm by rosa
Permalink
se te abraço é porque tenho cinzas no lugar do coração e só tu tens mãos de ouro que me moldem
Posted at 12:54 am by rosa
Permalink
descanso na manta de vidro e não oiço o choro do esqueleto que me sustém
espero o teu cheiro quente adormecido
sonho com a vida que não me respira e me devora
Posted at 10:42 pm by rosa
Permalink
sente este cadáver cansado de falta de ar
canso-me de raios homicidas em campos de chuva e angústia
És o meu Norte. A Casa tatuada. A voz que reconheço nos lagos e desertos do devir. Quando só a luz me dizia que eu ainda era real inventei-te e reconheci a tua voz. És sol e sangue quente no meu cálice.
Posted at 10:33 pm by rosa
Permalink
sou estátua e no meu sangue corre o teu cimento
oiço e descubro o silêncio arrepio-me quase me vejo só em grito que te chama
não me dispas de pele e ossos és apenas o meu respirar e os anos doces de paixão. regressa nesta mesma estrada. retoma as palavras e as ondas duras de solidão serão só cacos de ti e de mim e do que fomos na distância.
Posted at 09:13 pm by rosa
Permalink
não sobrou nada
de campos dourados e tremuras de pele sobraram restos cinzas e cheiros salgados de vingança
Posted at 11:43 pm by rosa
Permalink